Hepatite infantil misteriosa: pasta da Saúde investiga 7 casos suspeitos no País. - Tudo pela Cura

Hepatite infantil misteriosa: pasta da Saúde investiga 7 casos suspeitos no País.

- 9:46 AM



São Paulo - O Ministério da Saúde afirmou nesta sexta-feira, 6, que monitora sete casos

suspeitos de hepatite aguda infantil de origem desconhecida, sendo três no Paraná, e

quatro no Rio de Janeiro. A origem da infecção registrada em crianças ainda é

desconhecida, mas sabe-se que ela pode desencadear uma série de problemas, incluindo a

necessidade de transplante de fígado, e que pode ser fatal.



A pasta informou ainda que os Centros de Informações Estratégicas de Vigilância em

Saúde (CIEVS) monitoram junto a Rede Nacional de Vigilância Hospitalar qualquer

alteração do perfil epidemiológico, bem como a detecção de casos suspeitos da doença, e

orienta aos profissionais de saúde e da Rede Nacional de Vigilância, Alerta e Resposta às

Emergências em Saúde Pública do Sistema Único de Saúde (VigiAR-SUS) que suspeitas

sejam notificadas imediatamente.



Na quinta-feira, 5, o governo da Argentina notificou a confirmação do primeiro caso da

doença na América Latina, em um menino de oito anos. Em seguida, o Panamá também

confirmou um caso no País. Até então, apenas os Estados Unidos e a Europa haviam

confirmado casos da infecção.



Até o dia 3 de maio, mais de 200 casos foram registrados em 20 países, segundo a

Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo a grande maioria deles no Reino Unido,

primeiro país a reportar a doença. Já houve pelo menos quatro mortes - uma confirmada

pelas autoridades britânicas e três pela Indonésia.


Segundo a OMS, a hepatite é uma inflamação que atinge o fígado causada por uma

variedade de vírus infecciosos (hepatite viral) e agentes não infecciosos. A infecção pode

levar a uma série de problemas de saúde, que podem ser fatais. Os vírus comuns que

causam hepatite viral aguda (vírus da hepatite A, B, C, D e E) não foram detectados em

nenhum desses casos.

Embora a síndrome atinja pacientes de até 16 anos de idade, a maioria dos casos está na

faixa de 2 a 5 anos. O quadro das crianças europeias é de infecção aguda. Muitos

apresentam icterícia, que, por vezes, é precedida por sintomas gastrointestinais -

incluindo dor abdominal, diarreia e vômitos -, principalmente em pequenos de até 10

anos. 


A maioria dos casos não apresentou febre.

Em caso de suspeita, recomenda-se fazer testes de sangue (com experiência inicial de que

o sangue total é mais sensível que o soro), soro, urina, fezes e amostras respiratórias, bem

como amostras de biópsia hepática (quando disponíveis), com caracterização adicional

do vírus, incluindo sequenciamento.

Vale reforçar que medidas simples de prevenção para adenovírus e outras infecções

comuns envolvem lavagem regular das mãos e higiene respiratória.

Especialistas acreditam que o agente causador da doença seja um adenovírus que é

transmitido por contato ou pelo ar. Embora seja atualmente uma hipótese como causa

subjacente, ele não explica totalmente a gravidade do quadro clínico. A infecção com

adenovírus tipo 41, o tipo de adenovírus implicado, não foi previamente associada a tal

apresentação clínica.

Os adenovírus são patógenos - organismos que são capazes de causar doença em um

hospedeiro - comuns que geralmente causam infecções autolimitadas. Eles se espalham

de pessoa para pessoa e mais comumente causam doenças respiratórias, mas dependendo

do tipo, também podem causar outras doenças, como gastroenterite (inflamação do

estômago ou intestinos), conjuntivite (olho rosa) e cistite (infecção da bexiga).

Segundo a OMS, há mais de 50 tipos de adenovírus imunologicamente distintos que

podem causar infecções em humanos. O adenovírus tipo 41 geralmente se apresenta

como diarreia, vômito e febre, muitas vezes acompanhados de sintomas respiratórios. O

potencial surgimento de um novo adenovírus ainda está sendo investigado. Outra

hipótese é de que haja alguma relação com o novo coronavírus. A possibilidade de ser

um efeito adverso da vacina contra a covid-19, no entanto, foi descartada, uma vez que

grande parte dos pacientes britânicos não haviam tomado o imunizante.

Isabela Moya


Fonte: UOL

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